Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Manifesto Subúrbia

Desço a rua até ao fim e entro na estação para apanhar o comboio.
No comboio encontro um cego de muletas que me pede uma esmola: “peço desculpa por estar a incomodá-lo, mas o senhor tem uma moeda que me dê para comprar o meu almoço?”
Eu digo-lhe que não tenho dinheiro, que a vida esta difícil para todos e que ele vá chatear outro…
Vou para o centro, as pessoas querem sempre ir para o centro. Porque é que as pessoas querem sempre ir para o centro? No centro sinto que não pertenço a lado nenhum.
No fim do dia, na estação terminal do centro, o frio gela-me os ossos e eu entro no comboio. O comboio chega ao subúrbio. Saio do comboio e oiço o comboio a partir como uma veia que leva o sangue a todas as casas destes pulmões podres. Subo a rua que dava para minha casa. Faz muito tempo que eu não pensava nisto tudo.
Foi no meio destas recordações, destas entranhas que o tempo parou. Volto a olhar para o céu e recordo o tempo em que eu tinha vontade, o tempo em que eu era espontâneo, o tempo em que tinha convicções, o tempo em que era virgem, o tempo em que eu era um mensageiro do belo em terra de feios.

Sábado, Novembro 22, 2008

fácil

Hoje descobri que um sms pode estragar um dia inteiro de expectativa.
Hoje descobri que com um telemóvel é muito mais fácil fugir.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

fim do mundo (pelo menos para ele).

O cenário desta história é o mais quotidiano possivel: corredor em hora de ponta.
Quando eles se cruzaram, ela sorrio para ele. Ele ficou apaixonado. Ele não sabia que o sorriso era venenoso. Ele bebeu o sorriso de uma só vez. Foi o fim... do mundo.

Domingo, Outubro 19, 2008

ilhas.

Podia falar-vos sobre a minha vida, mas isso era muito enfadonho, não era?
Obrigado à academia.

Sábado, Setembro 27, 2008

!?

Existem aqueles que vivem nas alturas, existem aqueles que vão até às alturas e existem aqueles que ficam a meio.

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Necessidades (3)

Preciso de olhar para a direita e dizer: já sei o teu nome.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

dorme.

Regressamos ao dormitório da vida. Os raios de sol são escassos mas fortes. Ficamos embriagados pela sonolência, e o resto são ilusões, são sonhos. Gritamos que esta vida não chega e dormimos sobres os nossos próprios cadáveres.
S.O.S suburbia. Alguém à escuta?